Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como são o diagnóstico, o tratamento e a evolução?

29 de agosto de 2016 at 7:00

O que é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica de causa genética que acomete as crianças e que geralmente acompanha a pessoa por toda a vida. Suas manifestações são mais frequentes – ou mais nítidas – nos meninos que nas meninas.

Alguns autores acham que essa é uma doença “inventada” pela indústria farmacêutica, interessada em vender remédios, outros a descrevem como uma entidade nosográfica nítida e defendem sua existencial real. Na verdade, a enfermidade não tem uma “marca registrada”, seja no sentido sintomático, seja no etiológico, que assegure a sua existência, mas a mesma coisa acontece com enfermidades que hoje já têm a sua existência consagrada, como as depressões, a esquizofrenia ou a ansiedade, por exemplo. A verdade é que as pessoas que sofrem de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), seja ela meramente “um jeito diferente de ser” ou não, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos que as outras e melhoram substancialmente quando adequadamente tratadas. A Organização Mundial de Saúde reconhece a sua efetiva existência e na sua Classificação Internacional de Doenças, lista essa condição como um transtorno mental, sob o número F90 (transtornos hipercinéticos).

Quais são as causas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

O fator causal principal parece ser uma susceptibilidade genética. Estima-se em 70% a concordância para o problema entre gêmeos idênticos e quando um dos pais tem o problema, a chance do filho também tê-lo é o dobro do normal. Se ambos os pais têm, a chance dos filhos é oito vezes maior. Essa maior ocorrência familiar pode, contudo, estar relacionada também ao aprendizado de um padrão de comportamento desatento e hiperativo. Fora isso, tem-se apontado maior incidência relacionada com problemas da gravidez e do parto e à exposição a determinadas substâncias (chumbo). Danos cerebrais perinatais no lobo frontal, por meio de alteração de neurotransmissores (dopamina e noradrenalina) podem afetar processos de atenção, motivação e planejamento, relacionando-se indiretamente com a doença. Problemas familiares, embora não sejam as causas únicas da doença, parecem torná-la mais aparente, como grande número de filhos, alto grau de brigas entre os pais, baixa instrução educacional, famílias com baixo nível socioeconômico, criminalidade dos pais, colocação em lar adotivo e/ou pais com transtornos psiquiátricos. Por outro lado, a idêntica prevalência do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em diversas regiões do globo parece indicar que as diferenças de estilo de educação ou das relações pais/filhos têm pouca ou nenhuma influência na geração do problema. Deve-se falar, então, no máximo, de predisposição genética e não de determinação genética.

Quais são os principais sinais e sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

Os principais sinais e sintomas do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) são: desatenção, inquietude e impulsividade. Em geral, as crianças afetadas são irrequietas e desatentas, apresentando dificuldades escolares e no relacionamento com os pais e com as demais crianças, e são etiquetadas com expressões como “bicho carpinteiro”, “avoadas”, “estabanadas”, “vivendo no mundo da lua”, etc. Geralmente têm problemas de comportamento, porque têm dificuldades de absorver regras e limites. Quando adultas essas pessoas têm desatenção para os problemas cotidianos bem como deficiências de memória. Geralmente são inquietos, vivem “inventado coisas”, “passam o carro na frente dos bois” e não conseguem relaxar, a não ser quando dormem. Frequentemente são considerados egoístas porque têm dificuldades de avaliar o próprio comportamento em função dos outros e costumam envolver-se com álcool e drogas. Nas provas escolares as crianças atingidas cometem frequentes erros não por falta de conhecimento, mas por distração e em geral mostram-se muito esquecidas (esquecem recados, material escolar, compromissos, etc.). Têm dificuldades de planejar as coisas ou de seguir o que tenha sido planejado para elas.

Como o médico diagnostica o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

O diagnóstico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é eminentemente clínico e não há nenhum exame capaz de “selar” o diagnóstico. Por isso, ele somente deve ser feito por profissional que conheça profundamente o assunto. O termo hiperatividade tem sido indevidamente empregado e muitas crianças têm sido rotuladas erroneamente como hiperativas. A primeira suspeita diagnóstica geralmente parte de educadores como psicopedagogos ou fonoaudiólogos, mas deve ser confirmada por um médico (preferencialmente psiquiatra infantil), juntamente com um psicólogo ou terapeuta ocupacional. Hoje em dia já existem testes e questionários que ajudam no diagnóstico clínico e sabe-se que a área do cérebro envolvida nesse processo é a região orbital frontal, responsável pela inibição do comportamento e pela atenção sustentada. O diagnóstico diferencial deve ser feito com o transtorno bipolar, a depressão, outros problemas de conduta, etc.

Como o médico trata o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

Algumas pessoas têm os seus sintomas muito amenizados com o uso de estimulantes psíquicos, mas nem todas respondem positivamente ao tratamento. Em casos que não apresentam melhora não se justifica a continuidade dos mesmos; a duração da administração do medicamento deve decorrer das respostas de cada caso em si.

A utilização de medicamentos deve ser criteriosamente avaliada em função dos seus efeitos colaterais e de sua utilização em longo prazo, uma vez que alguns remédios podem causar dependência. O tratamento ideal deve basear-se, além dos medicamentos, em acompanhamento especializado, com psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou psicopedagogo. Mais de 80% dos portadores de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) beneficiam-se com o uso de medicamentos como o cloridrato de metilfenidato.

Para evitar que a criança se disperse, é recomendado que ela disponha de um ambiente silencioso e sem distrações para estudar/trabalhar. Aulas de apoio nas quais ela receba atenção mais bem focalizada e mais individualizada podem ajudar a melhorar seu desempenho nos estudos. É importante que os pais e os professores se focalizem em elogiar seu desempenho bom, mais do que punir seus erros. Famílias caracterizadas por alto grau de agressividade e impulsividade devem se submeter, elas próprias, à psicoterapia, junto com a criança.

Como evolui o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

Em alguns casos o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) desaparece aos poucos com a idade, mas em outros permanece mesmo na idade adulta, embora transformado e minimizado em seus efeitos. Em geral, os adultos acometidos são pessoas desatentas, esquecidas e agitadas, que não podem passar sem estarem “fazendo alguma coisa”.

Como evitar o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

Não há como evitar-se o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), mas há como minorar seus efeitos:

  • Em casa, mantenha uma programação diária constante, hora certa para as refeições e para as atividades externas. Quando necessário, faça as alterações nessa programação antecipadamente e não em cima da hora.
  • Na escola, procure restringir as distrações no ambiente do seu filho: o assente na primeira fila, longe das janelas ou de outros estímulos que possam distraí-lo.
  • Elogie-o, sempre que possível, por comportamentos calmos e adequados.
  • Cuide para que seu filho durma o suficiente.
  • Dê para ele regras claras e consistentes.

Síndrome de abstinência: o que devemos saber sobre ela?

28 de agosto de 2016 at 7:00

O que é a síndrome de abstinência?

Chama-se síndrome de abstinência ao conjunto de reações orgânicas, físicas e psíquicas que acontecem em razão da suspensão brusca do consumo de drogas, lícitas ou ilícitas, geradoras de dependência.

Quais são as causas da síndrome de abstinência?

As síndromes de abstinência mais comuns entre nós são devidas à interrupção brusca do álcool, heroína, ópio, morfina, cigarrocrack, maconha, cocaína, etc. Mesmo drogas lícitas e de uso terapêutico podem gerar dependência e crises de abstinência, como os benzodiazepínicos, os vasoconstritores nasais, os corticoides, etc.

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome de abstinência?

A abstinência cria um desconforto insuportável para a maioria das pessoas, que cessa com o retorno à droga. Esse é um dos motivos da recaída, em pessoas dependentes. Em geral, a síndrome de abstinência ocasiona disforia(mudança repentina e transitória do estado de ânimo), insôniaansiedade, irritabilidade, náuseas, agitação,taquicardia, sensação de tremor interno, hipertensão arterial, etc. Casos mais graves podem levar a alucinações ecrises convulsivas.

Exemplos de sinais e sintomas mais específicos em cada caso:

  • Abstinência do álcool pode causar delirium tremensconvulsões, distúrbios táteis e visuais.
  • Abstinência de opioides apresenta-se de forma semelhante a uma gripe severa, com dilatação das pupilas, lacrimejamento, corrimentos nasais, bocejos, espirros, anorexianáuseasvômitos e diarreia.
  • Abstinência de estimulantes, como a cocaína e as anfetaminas, por exemplo, apresentam alterações do sono, aumento do apetite, distúrbios motores, depressões, delírios, pensamentos paranoides, comportamentos compulsivos, etc.

Os sintomas da abstinência podem não obedecer a um padrão fixo porque geralmente estão associados a dependências concomitantes a mais de uma droga. Algumas substâncias, como os psicotrópicos, por exemplo, causam abstinências igualmente incômodas, mas em que os sintomas são mais leves. Os sintomas causados por danos cerebrais podem ser descritos como mente confusa, problema de memória, reação emocional exagerada ouapatia, distúrbios emocionais, alterações do sono, incoordenação motora e hipersensibilidade ao estresse.

Como o médico diagnostica a síndrome de abstinência?

O diagnóstico da síndrome de abstinência é feito pela história clínica e pelos sintomas, além de alguns sinais físicos.

Como o médico trata a síndrome de abstinência?

Um dos primeiros passos necessários no tratamento das dependências é afastar a pessoa da droga que ela consome. Alguns médicos preferem fazer um afastamento abrupto, tratando sintomaticamente as consequências da abstinência, enquanto outros procuram fazer uma interrupção programada, diminuindo gradativamente as doses, na esperança de minimizar os sintomas da abstinência.

É importante para o tratamento correto a identificação do tipo de droga usada porque as complicações diferem de acordo com a substância. Alguns médicos costumam usar drogas substitutas que supõem ser mais fáceis de serem interrompidas.

Como evolui a síndrome de abstinência?

Algumas drogas causam dependência muito rapidamente e independente das doses, como o crack; outras causam dependência depois de certo tempo de uso, como o álcool.

A dificuldade que têm algumas pessoas de suportar a síndrome de abstinência pode ocasionar recaída na dependência, porém os sintomas dela são reversíveis se houver tratamento adequado.

Caminhada: o que precisamos saber sobre ela?

27 de agosto de 2016 at 7:00

A caminhada é uma das atividades físicas mais praticadas pelas pessoas. Ela é um exercício aeróbico muito utilizado, seja como meio de preservar a saúde e o peso corporal, seja pelas facilidades e comodidades que oferece: não tem custos; exige muito poucos equipamentos; não envolve grandes riscos e pode ter sua intensidade facilmente regulada. No entanto, e talvez por isso mesmo, a maioria das pessoas nunca se preocupou sobre como ela pode ser otimizada para produzir seus melhores efeitos e evitar seus riscos mais comuns.

A caminhada foi popularizada no Brasil pelo Dr. Kenneth Cooper, criador do método “Cooper”. Por isso, a atividade de caminhar é também chamada de “fazer Cooper”.

A caminhada é a reprodução acelerada do ato natural de andar que faz parte do repertório de atividades fisiológicasnaturais desde a infância e por isso não precisa de nenhum aprendizado especial. Ela é uma excelente alternativa para todas aquelas pessoas que não são afeitas a nenhuma forma de esporte ou de atividade física e deveria ser realizada desde cedo, embora as pessoas mais jovens geralmente estejam envolvidas com estudo, trabalho, criação de filhos, etc. e nem sempre dispõem de tempo para caminhar regularmente todos os dias. A caminhada produz benefícios equivalentes aos proporcionados pela natação ou pelo ciclismo, por exemplo.

Mudanças na estrutura do cérebro durante a adolescência fornecem pistas para o aparecimento de problemas mentais futuros

26 de agosto de 2016 at 7:00

Cientistas da University of Cambridge e da University College London mapearam as mudanças estruturais que ocorrem nos cérebros dos adolescentes e como elas se desenvolvem, através de ressonância magnética, mostrando como essas mudanças podem ajudar a explicar porque os primeiros sinais de problemas de saúde mental muitas vezes surgem na adolescência.

Os pesquisadores estudaram a estrutura do cérebro de quase 300 indivíduos, com idades entre 14 e 24 anos. Ao comparar a estrutura do cérebro de adolescentes de diferentes idades, descobriram que durante este importante período de desenvolvimento, as regiões exteriores do cérebro, conhecidas como córtex, diminuem de tamanho, tornando-se mais finas. No entanto, conforme isso acontece, os níveis de mielina – a bainha que “isola” as fibras nervosas, sendo o que lhes permite comunicar de forma eficiente – aumentam no interior do córtex.

Anteriormente, pensava-se que a mielina estava principalmente na chamada “matéria branca”, o tecido cerebral que conecta áreas do cérebro e permite que a informação seja comunicada entre as regiões cerebrais. No entanto, neste novo estudo, os investigadores mostraram que ela também pode ser encontrada no interior do córtex, a “matéria cinzenta do cérebro”, e que os níveis aumentam durante a adolescência. Em particular, o aumento de mielina ocorre nas “áreas de associação cortical”, regiões do cérebro que agem como centros ou pólos, principais pontos de ligação entre as diferentes regiões da rede cerebral.

O Dr. Kirstie Whitaker, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, principal autor do estudo, disse que durante a adolescência, nossos cérebros continuam a se desenvolver. Quando ainda somos crianças, essas mudanças podem ser mais dramáticas, mas na adolescência elas se refinam em detalhes. Os pólos que conectam diferentes regiões estão se fixando em seus lugares, uma vez que as conexões se fortalecem. Os cientistas acreditam que estes são os lugares onde a mielina aumenta na adolescência.

Os pesquisadores compararam estas medidas de ressonância magnética ao Allen Brain Atlas, que mapeia as regiões do cérebro através da expressão dos genes – os genes que estão “ligados” a determinadas regiões. Eles descobriram que essas regiões do cérebro que apresentaram as maiores mudanças na ressonância magnética durante a adolescência foram aquelas em que genes ligados ao risco de esquizofrenia foram mais fortemente expressos.

A adolescência pode ser um período de transição difícil e é quando se costuma ver os primeiros sinais de distúrbios mentais, como esquizofrenia e depressão. Este estudo aponta para o fato de que, durante esses anos de adolescência, essas regiões do cérebro, que têm o elo mais forte para os genes de risco da esquizofrenia, estão a se desenvolver mais rapidamente.

Aumentar o consumo de frutas e legumes colabora para melhorar o bem-estar e a felicidade

25 de agosto de 2016 at 15:10

Um trabalho divulgado pelo American Journal of Public Health foi realizado com o objetivo de explorar se o aumento no consumo de frutas e vegetais colabora para melhorias no bem-estar psicológico.

Os pesquisadores examinaram diários alimentares longitudinais de 12.385 adultos australianos, em amostra aleatória, nos anos de 2007, 2009 e 2013 na pesquisa australiana Household, Income, and Labour Dynamics.

O aumento do consumo de frutas e vegetais foi preditivo de aumento da felicidade, satisfação com a vida e bem-estar. Eles aumentaram em até 0,24 pontos de satisfação de vida (para um aumento de 8 porções por dia), que é igual em tamanho ao ganho psicológico de se mover da situação de desemprego para a de estar empregado. As melhorias ocorreram dentro de 24 meses.

Concluiu-se que a motivação das pessoas para comer alimentos saudáveis é enfraquecida pelo fato de que os benefícios de saúde física acumulam-se apenas décadas mais tarde na vida, mas, como a melhoria no bem-estar está perto de ser imediata com o aumento do consumo de frutas e vegetais, pode-se mostrar aos cidadãos que já há evidências de que os ganhos psicológicos com uma alimentação saudável podem ocorrer de forma rápida e muitos anos antes dos benefícios físicos alcançados no futuro.

A “hora de dormir” para crianças em idade pré-escolar e o risco de obesidade na adolescência

25 de agosto de 2016 at 15:09

Trabalho publicado pelo The Journal of Pediatrics buscou determinar se crianças em idade pré-escolar com “hora para dormir” têm menor risco de obesidade na adolescência e se essa redução de risco é modificada pela sensibilidade materna (capacidade de uma mãe para perceber e inferir o significado por trás de sinais comportamentais do seu filho e responder a eles prontamente e de forma adequada).

Os dados de 977 dos 1364 participantes do Study of Early Child Care and Youth Development foram analisados. Nascidos saudáveis de gestação não gemelar, em dez locais dos Estados Unidos, em 1991, eram elegíveis para a inscrição. Em 1995-1996, as mães relataram os hábitos de sono da criança em idade pré-escolar (média=4,7 anos) em uma semana típica e observou-se a interação mãe-filho para avaliar a sensibilidade materna. Em uma idade média de 15 anos, a altura e o peso corporal foram medidos e a obesidade na adolescência foi definida como um percentual de índice de massa corporal, para idade e determinado sexo, ≥ ao percentil 95 de referência dos EUA.

Um quarto das crianças em idade pré-escolar tinha “hora para dormir” cedo (20 horas ou mais cedo), metade tinha “hora para dormir” após 20 horas até 21 horas e um quarto dormia após às 21 horas. A “hora de dormir” das crianças foi semelhante, independentemente da sensibilidade materna (P=0,2). A prevalência de obesidade na adolescência foi de 10%, 16% e 23%, respectivamente, para os horários para dormir citados. Análise multivariável do risco relativo (IC 95%) para a obesidade na adolescência foi de 0,48 (0,29 a 0,82) para pré-escolares com início do sono mais cedo em comparação com pré-escolares que dormiam mais tarde. Este risco não foi modificado pela sensibilidade materna (P=0,99).

As conclusões mostram que crianças em idade pré-escolar com “hora de dormir” mais cedo, de segunda a sexta, tem metade das chances de serem obesas quando adolescentes, comparadas a crianças que dormem em horários mais tardios. A “hora de dormir” é uma rotina modificável que pode ajudar a prevenir a obesidade futura.

Um transtorno distorce a imagem que você tem do próprio corpo. Poucos o conhecem

1 de junho de 2016 at 15:21

A dismorfia corporal se caracteriza pela percepção distorcida da própria imagem e pode causar enormes estragos na vida psíquica dos afetados.

 

Chamada de transtorno dismórfico corporal (TDC) ou dismorfia corporal, caracteriza-se justamente pela percepção alterada de si mesmo diante do espelho. “A dismorfia é capaz de causar enormes estragos na autoestima dos pacientes”, diz Joana de Vilhena Novaes, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC do Rio de Janeiro. Essa doença grave, porém, é ainda muito pouco conhecida. Pelas próprias características que a definem, ela é indevidamente confundida com… excesso de vaidade.

Descrita pela primeira vez no fim do século XIX, a dismorfia corporal só agora começou a ser discutida de maneira aberta entre aqueles que sofrem da doença. Recentemente, o britânico Robert Pattinson, ator da saga Crepúsculo, afirmou a uma revista australiana viver incomodado por ser franzino demais (não é), a ponto de preferir não ser visto sem camisa. Pattinson já foi diagnosticado com TDC. No Brasil, Daiana foi a principal responsável pela divulgação do problema ao criar um canal no YouTube, o Eu Vejo. Seus depoimentos francos, intercalados com declarações de outros pacientes, fez o TDC virar notícia e seu programa, referência.

O TDC acomete cerca de 2% da população global – no Brasil, seriam cerca de 4 milhões de pessoas. A doença tem traços de compulsão, naturalmente percebidos pelos pacientes mas dificilmente identificados por familiares e amigos. O doente não vê sua imagem distorcida pura e simplesmente. Ele age de forma obsessiva em função dessa percepção. Com o objetivo de camuflar o defeito imaginado – que pode ser do corpo inteiro ou de apenas uma pequena porção dele -, ele checa constantemente a própria aparência no espelho, escova excessivamente o cabelo, exagera nos cuidados estéticos. Diz o dermatologista Jardis Volpe, de São Paulo: “Esse tipo de paciente quer se submeter a inúmeros procedimentos para corrigir problemas mínimos ou inexistentes e, independentemente do resultado, nunca está satisfeito”. As medidas tomadas pelos portadores do transtorno podem ser ainda mais dramáticas. Estima-se que um terço deles tenha recorrido a mais de uma cirurgia plástica para “corrigir” sucessivas vezes um mesmo problema. O TDC ainda costuma ser acompanhado de outros distúrbios. Cerca de 90% dos doentes sofrem de depressão; 48% abusam de bebidas alcoólicas e 32% sofrem de anorexia ou bulimia.

 

Homens e mulheres são vítimas do transtorno em igual proporção. A faixa etária mais acometida é a dos 15 aos 20 anos. Uma das possíveis explicações é que nessa fase o cérebro está em plena ebulição. Os estudos mais consolidados indicam uma origem neurológica para o transtorno. O cérebro dos pacientes com TDC sofre de um descompasso de substâncias como noradrenalina, dopamina e serotonina, sobretudo nas regiões relacionadas à visão e ao gerenciamento de emoções. Tais compostos estão associados, por exemplo, aos mecanismos de recompensa, ansiedade, motivação e humor. “Esse tipo de alteração pode elevar o nível crítico da própria imagem”, afirma Eduardo Aratangy, psiquiatra do Serviço de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Além disso, as mudanças hormonais drásticas e a necessidade de aceitação durante a adolescência podem ajudar a deflagrar a doença.

 

Atividade física regular reduz o risco de câncer

1 de junho de 2016 at 15:18

De acordo com um novo estudo, a prática regular de exercício diminui em 7% a probabilidade de desenvolver qualquer tipo de tumor

 

Praticar atividades físicas regularmente reduz o risco de desenvolver 13 tipos de câncer. De acordo com o estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine, a prática de exercícios está associada a uma redução de 7% na probabilidade de desenvolver qualquer tipo de tumor.

“Nossos resultados mostram que a relação entre exercício e redução do risco de câncer pode ser generalizada em diferentes grupos de pessoas, incluindo aquelas com sobrepeso e as que foram fumantes”, explicou Steven Moore, principal autor do estudo.

A pesquisa, realizada pelo Instituto Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, revisou 12 estudos americanos e europeus feitos entre 1987 e 2004, com 1.4 milhão de participantes. Durante cerca de onze anos de acompanhamento, 186.932 casos da doença foram diagnosticados entre os participantes. Em seguida, os autores relacionaram os dados sobre a prática de atividade física com o risco de desenvolvimento de 26 tipos de câncer.

Os resultados apontaram que uma vida ativa fisicamente está associada a um menor risco no desenvolvimento de pelo menos 13 tipos de câncer. Por exemplo, a prática de exercícios está relacionada à uma redução de 42% no risco de câncer de esôfago e 25% no caso de tumores no fígado e pulmão. Em média, a prática regular de exercício físico estava associada à redução de 7% no risco de desenvolver qualquer tipo de câncer.

Na maioria dos casos, a relação entre atividade física e redução do risco de câncer foi mantida independente do peso e do hábito de fumar dos participantes. As atividades às quais o estudo se refere são: caminhar, correr, nadar ou pedalar, em um ritmo que pode ir de pausado a intenso, durante 150 minutos por semana.

Apesar dos resultados, os autores advertem que fatores como dieta, tabagismo entre outros, podem afetar o risco de desenvolvimento de tumores.

Está muito ocupado? Isso pode fazer bem ao cérebro

1 de junho de 2016 at 15:15

De acordo com um novo estudo, o acúmulo de tarefas está relacionado a uma melhor capacidade de processar informações, raciocínio e memória

Você anda estressado com a quantidade excessiva de tarefas a cumprir? Um novo estudo acabou de mostrar que isso pode fazer bem ao cérebro. A pesquisa, publicada recentemente no periódico científico Frontiers in Aging Neuroscience, mostrou que pessoas ocupadas têm mentes mais rápidas e melhor memória.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade do Texas, em Dallas, nos Estados Unidos, pediram que 330 participantes saudáveis, com idade entre 50 e 80 anos, relatassem suas tarefas diárias. Em seguida, os voluntários foram submetidos a uma bateria de exames.

Os resultados mostraram que independentemente do nível de instrução individual, ter um dia a dia mais atarefado está relacionado a um cérebro mais saudável. Os participantes mais ocupados mostraram-se capazes de processar informações mais rapidamente, tinham melhor memoria, raciocínio e vocabulário do que aqueles com um cotidiano mais tranquilo. Essas pessoas também apresentaram melhor memória episódica – habilidade de lembrar acontecimentos específicos.

“Nós mostramos que as pessoas que relatam níveis elevados de atividade diária tendem a ter melhor cognição, especialmente no que diz respeito à memória para obter informações aprendidas recentemente”, disse Sarah Festini, uma das autoras do estudo.

De acordo com os cientistas, o acúmulo de tarefas ao longo do dia aumenta a oportunidade de aprender novas atividades, o que ajuda a manter o cérebro ativo.

Ouvir música antes da cirurgia reduz necessidade de sedação

1 de junho de 2016 at 15:13

Pacientes que ouvem música suave – como jazz, música clássica e piano – antes de um procedimento cirúrgico ficam mais relaxados e precisam de menos sedação. É o que diz um estudo apresentado durante o Congresso Europeu de Anestesiologia, realizado em Londres, na Inglaterra.

De acordo com o estudo, elaborado por pesquisadores do Hospital Universitário Cochin, em Paris, na França, apenas 15 minutos de músicas compostas especialmente para aliviar a ansiedade são suficientes para relaxar os pacientes antes de uma cirurgia de catarata. As informações são do jornal britânico The Telegraph.

Os pesquisadores selecionaram 16 músicas instrumentais usando um ritmo decrescente, compostas com o objetivo de prevenir e controlar a dor, ansiedade e depressão. Em seguida, eles pediram que 62 pacientes optassem entre ouvir uma das opções de música ou nada, durante 15 minutos antes de serem submetidos à cirurgia.

Depois do procedimento, os voluntários responderam a um questionário sobre quão ansiosos estavam no pré e no pós-operatório. Os resultados mostraram que aqueles que optaram por ouvir música tiveram sua ansiedade significativamente reduzida (23 pontos em uma escala de 100), em comparação com o grupo que não quis ouvir nada (65 de 100). A satisfação com o pós-operatório também foi significativamente maior no grupo que ouviu música (pontuação média de 71/100, contra 55/100).