Pesquisa indica que 13% dos alunos tem algum tipo de transtorno psiquiátrico

11 de janeiro de 2015 at 23:33

 Uma pesquisa realizada com cerca de 1.700 alunos de escolas públicas, com idades entre 6 a 16 anos, de quatro regiões brasileiras, mostra que a prevalência de transtornos psiquiátricos entre esses escolares é estimada em 13%.

 

Os dados estão descritos no Estudo Epidemiológico sobre a Saúde Mental do Escolar Brasileiro, realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para Infância e Adolescência (INPD), coordenado pelo professor Eurípedes Constantino Miguel, do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e teve como pesquisadores principais o psiquiatra Jair de Jesus Mari, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e a psicóloga Cristiane Silvestre de Paula (também professora da Universidade Mackenzie).

 

Os resultados apontam para a necessidade de uma reformulação de políticas públicas no setor, com ênfase na prevenção e na identificação precoce dos transtornos, no combate ao estigma, e na garantia de assistência de qualidade a estes jovens, permitindo que possam atingir um desenvolvimento físico e emocional compatível com suas potencialidades. Além de mostrar a importância do papel do psicólogo na tarefa de identificar, orientar e contribuir para o tratamento destas crianças.

 

Entre os estudantes com transtornos psiquiátricos, apenas 19,3% receberam alguma forma de tratamento no último ano, sendo que a maior parte das consultas foi oferecida por psicólogos (85%). Conforme a pesquisadora Cristiane Silvestre de Paula, que analisou os dados durante seu pós-doutorado na Fiocruz, o número é baixo considerando que essas crianças e adolescentes já têm um transtorno psiquiátrico estabelecido e que, portanto, 100% deveriam estar recebendo assistência. Diversas barreiras têm sido relatadas para que isso ocorra, sendo uma das mais importantes a falta de unidades de saúde, além do estigma e do desconhecimento, considera.

 

Transtornos disruptivos (Transtorno Desafiador e de Oposição, Transtorno de Conduta, e Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção TDAH) foram encontrados em 5,8% dos pesquisados, sendo 13% dos alunos têm transtorno psiquiátrico

Dados estão descritos no Estudo Epidemiológico sobre a Saúde Mental do Escolar Brasileiro4,5% TDAH.

 

 

 

O pesquisador Jair Mari destaca que o País conta com cerca de 500 psiquiatras da Infância e da Adolescência para lidar com um contingente de, pelo menos, 40 milhões de crianças e adolescentes. Ele considera que o número é muito baixo, o que chama atenção para o desafio de se formar recursos humanos para atender a expressiva demanda sem acesso a um tratamento adequado.

 

Segundo o professor Eurípedes Constantino Miguel, entre os fatores associados aos transtornos mentais detectados está a baixa capacidade cognitiva (baixo quociente intelectual – QI). Conforme ele, acredita-se que isso pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais. Um desdobramento da pesquisa é desenvolver programas de intervenção na primeira infância.

 

Vários estudos mostram que intervenções deste tipo em jovens grávidas, adolescentes e pobres têm impacto positivo no desenvolvimento cognitivo dos seus filhos [maior QI], levando a menos doenças físicas e mentais no adulto. Este tipo de programa está associado a um melhor desempenho escolar, maior renda e menor índice de criminalidade e problemas legais nestas crianças quando se tornam adultas, destaca o professor.

 

Os pesquisadores atuaram nas cidades de Caeté (Minas Gerais); Goianira (Goiás); Itaitinga (Ceará); e Rio Preto da Eva (Amazonas). Cada cidade teve cerca de 450 estudantes entrevistados. Inicialmente, o projeto foi apresentado às Secretarias de Educação e Saúde das cidades escolhidas e sorteio das escolas participantes. Psicólogos foram treinados para entrevistar as famílias. A coleta de dados foi finalizada em dezembro de 2012. (com Agência USP de Notícias)