Mudanças na estrutura do cérebro durante a adolescência fornecem pistas para o aparecimento de problemas mentais futuros

26 de agosto de 2016 at 7:00

Cientistas da University of Cambridge e da University College London mapearam as mudanças estruturais que ocorrem nos cérebros dos adolescentes e como elas se desenvolvem, através de ressonância magnética, mostrando como essas mudanças podem ajudar a explicar porque os primeiros sinais de problemas de saúde mental muitas vezes surgem na adolescência.

Os pesquisadores estudaram a estrutura do cérebro de quase 300 indivíduos, com idades entre 14 e 24 anos. Ao comparar a estrutura do cérebro de adolescentes de diferentes idades, descobriram que durante este importante período de desenvolvimento, as regiões exteriores do cérebro, conhecidas como córtex, diminuem de tamanho, tornando-se mais finas. No entanto, conforme isso acontece, os níveis de mielina – a bainha que “isola” as fibras nervosas, sendo o que lhes permite comunicar de forma eficiente – aumentam no interior do córtex.

Anteriormente, pensava-se que a mielina estava principalmente na chamada “matéria branca”, o tecido cerebral que conecta áreas do cérebro e permite que a informação seja comunicada entre as regiões cerebrais. No entanto, neste novo estudo, os investigadores mostraram que ela também pode ser encontrada no interior do córtex, a “matéria cinzenta do cérebro”, e que os níveis aumentam durante a adolescência. Em particular, o aumento de mielina ocorre nas “áreas de associação cortical”, regiões do cérebro que agem como centros ou pólos, principais pontos de ligação entre as diferentes regiões da rede cerebral.

O Dr. Kirstie Whitaker, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, principal autor do estudo, disse que durante a adolescência, nossos cérebros continuam a se desenvolver. Quando ainda somos crianças, essas mudanças podem ser mais dramáticas, mas na adolescência elas se refinam em detalhes. Os pólos que conectam diferentes regiões estão se fixando em seus lugares, uma vez que as conexões se fortalecem. Os cientistas acreditam que estes são os lugares onde a mielina aumenta na adolescência.

Os pesquisadores compararam estas medidas de ressonância magnética ao Allen Brain Atlas, que mapeia as regiões do cérebro através da expressão dos genes – os genes que estão “ligados” a determinadas regiões. Eles descobriram que essas regiões do cérebro que apresentaram as maiores mudanças na ressonância magnética durante a adolescência foram aquelas em que genes ligados ao risco de esquizofrenia foram mais fortemente expressos.

A adolescência pode ser um período de transição difícil e é quando se costuma ver os primeiros sinais de distúrbios mentais, como esquizofrenia e depressão. Este estudo aponta para o fato de que, durante esses anos de adolescência, essas regiões do cérebro, que têm o elo mais forte para os genes de risco da esquizofrenia, estão a se desenvolver mais rapidamente.